Era dos Ventos: uma vinícola como você nem imagina

Era dos Ventos: uma vinícola como você nem imagina

Era dos Ventos: uma vinícola como você nem imagina

Álvaro Escher, Luis Henrique Zanini e Pedro Hermeto: o triunvirato que deu origem a uma boa era de vinhos…

Álvaro Escher, Luis Henrique Zanini e Pedro Hermeto: o triunvirato que deu origem a uma boa era de vinhos…

Tudo começou com o resgate da uva Peverella… Italiana por origem, a cepa acabara assumindo mesmo a nacionalidade brasileira. Foi em 1930 que as primeiras mudas chegaram ao Brasil e, lá pelos anos 50 e 60, seus vinhos eram muitos consumidos pelas famílias italianas de Bento Gonçalves (incluindo a de Álvaro Escher, um dos idealizadores da Era dos Ventos). Apesar do aparente sucesso, a variedade acabou se perdendo dentre outras tantas e as poucas vinhas restantes estavam, justamente, aqui.

Resultado de um extenso trabalho de pesquisa, desde a possível origem – Vêneto ou Tirol? – até sua chegada à região gaúcha, a uva que beirava a extinção renasceu. O ano era 2002 e, à época, o projeto dessa autêntica produção de garagem se chamava Cave do Ouvidor. Ainda pensando em dar continuidade ao resgate da casta, Escher se juntou à Luis Henrique Zanini, um velho amigo do curso de enologia. Cinco anos depois, Pedro Hermeto, proprietário do restaurante Aprazível, se juntou e deu origem ao triunvirato.

Poucos são os hectares reservados às vinhas da vinícola que se autodenomina experimental. Em meia à Serra Gaúcha, produzem, de modo artesanal, vinhos de personalidade, de caráter. Como eles mesmo dizem, ousam para avistar um “futuro alternativo promissor para a vinicultura brasileira”.

Nem só de Peverella vive a Era dos Ventos

Palavras da curadora (e poeta!)


Quando lançamos, no ano passado, o Peverella da Era dos Ventos, descrevi este projeto como um daqueles que surgem de tempos em tempos para nos surpreender. Pura verdade, pois quando chega o tempo de cada novo vinho, ele volta a nos encantar. Como neste momento, em que a Era dos Ventos nos entrega este Tempranillo, que vem revelar novas facetas brasileiras para esta variedade forasteira em conexão com o produtor e a terra, onde tudo começa, e onde o vinho se define.

Hoje me permito ser menos curadora e mais poeta, apaixonada pelo vinho, pois só assim é possível entender a experiência de experimentar um vinho especial como este, in loco. Quando visitei o projeto, tive o privilégio de me conectar com todos esses elementos: produtor, terra, a uva na vinha, pronta para se transformar, e o vinho em seu silencioso processo de se fazer. No momento em que provei o vinho ali, na sua origem, pude perceber que está mesmo tudo lá, na uva transformada em vinho, feito como me disse seu produtor Luís Henrique Zanini: “Temos que fincar as mãos na terra! Não podemos dissociar a uva do vinho, se não estaremos começando mal”.

E lá tudo começa muito bem mesmo, com o dom destes vinhateiros para descobrir o que se dá bem nesta terra e fazer disso um grande vinho. Pode até ser ousadia trabalhar uma Tempranillo, que tem afinidade com sua terra de origem e onde criou sua identidade. Mas, como o homem que sai de sua terra e imigra para outro lugar, outro país, para nele encontrar sua nova casa, a uva também encontra novas terras com as quais se conecta para delas revelar uma nova expressão.

Assim é este Tempranillo, da Era dos Ventos e dos Caminhos de Pedra, que gostou desta terra e assumiu DNA brasileiro, num vinho delicioso com pureza de fruta integrada com a madeira de já vários anos de uso e que entrega sua maturidade ao vinho.

Poesia demais para um único vinho? E por que não?! Afinal, em tempos de tanta tecnologia é preciso as vezes se reconectar com a origem das coisas e do vinho que tanto gostamos.

Por Gustavo Jazra e Sonia Denicol

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