O alto preço dos vinhos no Brasil

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O alto preço dos vinhos no Brasil

O Brasil talvez seja o país onde se paga o mais alto preço do mundo por uma garrafa de vinho.

Sou dos grandes críticos dos preços dos vinhos no Brasil. O Brasil talvez seja o país onde se paga o mais alto preço do mundo por uma garrafa de vinho.

O tema me incomodou tanto que fui procurar as razões para isso, e nessa busca encontrei diversos fatores importantes para entendermos o que acontece. A conclusão, como você poderá ver abaixo, é que a burocracia, o excesso de impostos, muitos deles superpostos, e a ganância de intermediários levam os preços às alturas.

Vamos tomar por base um vinho que venha do Velho Mundo a, digamos, R$ 7,20, que seriam cerca de 4,40 euros na origem (acredite que há muito vinho desse valor hoje no mercado). Esse valor é o que se chama em importação de preço “ex-cellar”, ou seja, preço à vista na vinícola, sem nenhum custo agregado.

Vamos agregar toda a cadeia de custos e impostos, taxas e margens dessa garrafa na origem até a mesa de um restaurante. Os valores agregados são porcentuais ao valor de origem. Acompanhe:

R$ 0,60 de “pick up” (significa retirar a mercadoria da vinícola e colocá-la em algum lugar até o embarque).

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R$ 0,10 de consolidação (significa juntar algumas outras caixas de alguns outros produtores até formar seu container).

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R$ 0,70 de frete “reefer” (que é o container refrigerado. Sim, estes meus amigos contratam mesmo o refrigerado).

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R$ 0,84 de despesas portuárias + R$ 0,14 de seguro + R$ 0,30 de despachante e chegamos ao primeiro subtotal de R$ 9,88.

Então, entramos no Imposto de Importação, que soma mais R$ 2,66, e no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que é R$ 2,16, para chegarmos ao segundo subtotal de R$ 14,70.

A partir daí, incidem o PIS (Plano de Integração Social), com R$ 0,28, e o COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), de R$ 1,36, e chegamos ao terceiro subtotal de R$ 16,34.

Partimos, então, para o ICMS “normal” na entrada (veja que simples de entender…) de R$ 5,44. Aquela garrafa de R$ 7,20 já está valendo R$ 21,80.

Entramos, então, na margem do importador, que varia muito de um para outro. Eu calculei, aqui, as taxas de um importador modesto, que coloca 45% sobre a venda – neste caso, um valor de R$ 17,84. Mas é importante notar que esse valor inclui 7% de impostos na venda (PIS e COFINS, novamente, mais CSLL, IRPJ e a diferença de ICMS normal entre entrada e saída) e ainda custos de administração, amostras para o Ministério, análise do produto, depósito refrigerado, divulgação, entrega, comissão de vendas, catálogos, custo financeiro de manutenção de estoques e perdas com produtos estragados.

A esta altura, nosso vinho que era R$ 7,20 lá, no produtor, sai do importador a um preço de venda para pessoas jurídicas de R$ 39,64.

Então, acrescentam-se aí o ICMS normal de saída, com R$ 4,46, e a ST. ST é a Substituição Tributária, que obriga o vendedor a recolher em nome do comprador 25% sobre uma margem de lucro que o próprio governo estimou – no caso, 67,82%, acredite se quiser… Isso dá mais R$ 6,72, que leva aquele nosso vinho de R$ 7,20 para R$ 46,34.

Mas os distribuidores, lojistas e restaurantes precisam ganhar. Para que eles possam vender o vinho a um preço próximo do preço que o importador pratica para o consumidor final, o importador coloca então 40% de margem para eles. Pronto, nosso vinho de R$ 7,20 chegou a R$ 77,24!

Acima desses valores, imagine que qualquer loja, restaurante ou qualquer outro tipo de comércio terá que colocar seus custos e margens de ganho. No caso dos restaurantes, que são gulosos, um vinho dessa faixa de preço chegaria normalmente acima dos R$ 100!

A esta altura, meu caro leitor, você deve estar um tanto desanimado. Muitas vezes, eu fico também. Mas é importante não generalizar as coisas. Sempre há exceções. Existem importadores com margens menores que a maioria, existem comércios com margens razoáveis, existem restaurantes e enotecas que praticam margens baixas e existem negócios de vinho que lhe prestam um bom serviço (caso do Sonoma). Esse lugares descobrem as boas oportunidades, ensinam, têm curadores sérios e competentes, sugerem novidades de qualidade e bons preços (dentro das limitações descritas acima, claro) e, com isso, diminuem a enorme distância que separa o Brasil dos países sérios. Basta você procurá-los e prestigiá-los.

Saúde!

**Acabamos de começar uma nova parceria com nosso amigo (de todos nós, apreciadores de vinho) Didú Russo. Ele vai preparar algumas opiniões sinceras e independentes para o Sonoma. Confira a primeira!*

Por Didú Russo*

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