O gigante quer vinho

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O gigante quer vinho

Como a China dominou o mundo dos vinhos em Bordeaux e quais são as previsões para Borgonha?

Como a China dominou o mundo dos vinhos em Bordeaux e quais são as previsões para Borgonha?

Que a China consome muito vinho, não podemos negar. Desde 2011, o consumo tem sido de cerca de 1,3 milhão de litros por ano. Seja como for, o país já se tornou o primeiro importador mundial de vinhos de Bordeaux. As vendas para o mercado chinês aumentaram em mais de 110% e passaram a representar mais de 25% do total das exportações mundiais francesas de vinhos dessa região, segundo o Conselho Interprofissional de Vinhos de Bordeaux. Além disso, cerca de 30 vinhedos com châteaux franceses da cidade foram comprados por chineses, desde 2007, e mais dezenas estão sendo negociados.

De acordo com alguns especialistas, essa compra desenfreada de vinhos pela China, em comparação com investidores ocidentais (que possuem mais experiência nesse mercado e apostam nos lucros de longo prazo), faz as atividades dos investidores chineses parecerem mais com especulações.

De acordo com estatísticas, o investimento nas variedades de vinhos de Bordeaux gera um lucro de 150% em três anos, 350% em cinco anos e 500% em dez anos. Pois é, os vinhos da região possuem um alto valor agregado, deixando para trás produtos de investimento tradicionais, como ouro, ações, antiguidades e até diamantes.

No meio disso tudo, outra fonte de “ouro francês” também começou a ser analisada pelos amigos asiáticos: Borgonha. Os chineses estão a cada dia mais exigentes, querendo vinhos diferentes e mais especiais. Essa situação está atrelada ao fato de que cada vinhedo de Bordeaux produz cerca de 300 mil garrafas por ano, o que os torna menos exclusivos. A enorme variedade tem entediado os clientes, por isso os consumidores estão preferindo, agora, as marcas de Borgonha, cujas adegas raramente produzem mais de 3.000 garrafas por ano.

Com o investidor chinês colocando os vinhos de Borgonha na sua lista dos mais procurados, há a preocupação de que o preço desses vinhos dispare. “Acreditamos em um desenvolvimento deliberado de mercado, nós não queremos seguir o exemplo de Bordeaux”, disse Pierre-Henry Gagey, presidente do Conselho Interprofissional dos Vinhos de Borgonha (BIVB – Bureau Interprofessionnel des Vins de Bourgogne).

O presidente também afirma ter aberto um escritório em Xangai para administrar sessões de treinamento para compradores chineses, o que ele chamou de uma estratégia “prudente” para a venda de vinhos na Ásia.

Mas a alta dos preços já deu seu ar da graça nos vinhos de Borgonha. Hoje, um Domaine Dominique Gallois La Combe 1985 custa 180 mil dólares. Esses aumentos são encarados como más notícias por alguns, mas outros vêem isso como uma maneira do vinho voltar às mesas dos consumidores tradicionais, aqueles que gostam e querem o vinho para o consumo, ao invés de colecionadores ou compradores que querem o vinho apenas pelo prestígio.

Enquanto isso, exportadores de todo o mundo e produtores chineses lucram com a tendência do consumo de vinhos tintos sofisticados no gigante asiático. Agora é esperar pra ver no que vai dar.

Por Sonoma Brasil

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