Paulo Laureano: “Vinhos são ótimos contadores de história”

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Paulo Laureano: “Vinhos são ótimos contadores de história”

Em entrevista ao Sonoma, o sempre simpático Paulo Laureano, mais conceituado enólogo português, fala do início de seus vinhos e revela o seu conceito.

Sorridente e carismático, o português Paulo Laureano é tido como um dos enólogos mais conceituados do país.

Após anos de estudos sobre agronomia e enologia em Portugal, Austrália e Espanha, tornou-se professor de respeito na Universidade de Évora durante 10 anos.

Mas o cara é doido! Ele não parou por aí…

Já conhecido mundialmente por sua experiência (e pelo seu bigode cheio de personalidade, que lembra até o famoso Mario dos games), ele abriu uma vinícola que levou seu nome, a Paulo Laureano Vinus, e passou a se dedicar a uma paixão que possuía há anos: elaborar vinhos. Não levou tempo para a marca ganhar nome e alcançar o mercado internacional.

Além de seu bom humor, o produtor é conhecido por utilizar apenas uvas portuguesas, algo que sempre defendeu. “Gosto de manter essa personalidade tão própria que o Alentejo tem”, explica.

Em entrevista ao Sonoma, o sempre simpático Paulo Laureano fala do início de sua produção de vinhos e revela um pouco mais sobre o seu conceito.

Sonoma: Como teve início a sua vinícola?

Paulo Laureano: A minha vinícola começou em 1999, reflexo do meu desejo de fazer um vinho em que pudesse empregar minha paixão de desenhar vinhos em uma das melhores regiões vitivinícolas portuguesas: o Alentejo.

S: Hoje, seu bom humor e seu bigode são fortes representantes da sua marca. Como chegou a isso?

PL: O meu bigode é também uma imagem de marca dos meus vinhos. Por natureza, sou bem disposto e descontraído assim. Acho que quem me rodeia me vê como um cara calmo, mas há quem me ache um “malucão”.

S: Todos o definem como um enólogo minimalista. O que isso quer dizer?

PL: É colocar em um copo tudo aquilo que distingue o vinho – a influência do clima, do solo e das uvas – de uma forma bem visível. Acreditamos que os vinhos devem ser uma expressão do terroir. É isso o que deve ser visível, e não qualquer tecnologia, o que tornaria o vinho um produto padronizado. Produzirmos vinhos exclusivamente com uvas portuguesas é o que confere alma aos nossos vinhos e dá prazer a quem os bebe.

S: Por que você só utiliza uvas portuguesas? Qual é a sua preferida?

PL: Porque elas são a identidade e a diferença dos meus vinhos. Todas têm o seu espaço, mas uvas como a Trincadeira, o Antão Vaz ou a Tinta Grossa são excepcionais.

S: Quais são as suas expectativas quanto às uvas portuguesas para o futuro?

PL: Acredito que o peso e o êxito das uvas portuguesas no setor dos vinhos em Portugal são hoje inquestionáveis, seja sozinhas ou misturadas com uvas internacionais.

S: Você está iniciando algum projeto novo?

PL: A Paulo Laureano Vinus quer deixar algumas marcas claras nessa área em torno das uvas portuguesas. Recentemente, fizemos a reativação da Tinta Grossa, que era uma uva praticamente extinta. Esse é um primeiro sinal, mas espero não ficar por aqui. Então, dentro de algum tempo, podem esperar outras surpresas.

S: No seu site, e em muitas fotos que circulam pela internet, dá para ver que você adotou uma linha diferente dos outros produtores. Há um certo senso de humor. A verdade é que combina muito bem com a nossa visão no Sonoma!

PL: Muitos sites de vinícolas são formais demais, achei que uma foto minha no barbeiro seria mais divertida. Eu penso que o vinho é algo que deve estar disponível para todos, por isso esse traço bem humorado e descontraído na construção da estrutura do site.

S: Você acha que os vinhos são vistos hoje de forma elitizada?

PL: Eu acho que isso está mudando. O vinho é uma bebida única, com uma cultura agregada que é difícil de encontrar em outros produtos. No entanto, isso não deveria tornar o vinho uma bebida elitizada. Deveria ser motivo para tornar o vinho uma bebida ainda mais “democrática”. Hoje existem vinhos com custo-benefício para todas as classes e, mesmo por valores mais reduzidos, é possível ter acesso a excelentes vinhos. Isso é bem visível em todos os mercados, e o Brasil não é exceção.

S: Desde que entrou nesse mundo, qual foi a sua maior satisfação até agora?

PL: A minha maior satisfação é quando alguém consome o meu vinho e abre um sorriso de prazer. Aí é quando nós estamos conseguindo aquilo que é o nosso objetivo.

S: Para finalizar, você gostaria de enviar alguma mensagem aos brasileiros e para todos que apreciam um bom vinho?

PL: Os vinhos são momentos de prazer, são produtos de emoção e são ótimos contadores de histórias. Um bom vinho é aquele que nos dá prazer quando o consumimos. O Brasil tem hoje disponíveis diversos vinhos das mais distintas origens, então tratem de descobri-los e compartilha-los. Vamos nessa!

Por Rafa dos Santos

Conheça a variedade de vinhos da Sonoma

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