Pontuando os vinhos

Pontuando os vinhos

RP, WS, WE, ST… Quem gosta de vinhos, sabe que essas siglas dão valor à garrafa – quer dizer que são pontuadas.

RP, WS, WE, ST… Meu deus, o que é tudo isso!? Quem gosta de vinhos, sabe que essas siglas dão valor à garrafa – quer dizer que são pontuadas.

Mas o que significam, e como funcionam?

Sempre houve revistas, clubes e confrarias que avaliaram vinhos com pontos (alguns com estrelas, outros com taças…), mas nenhum se destacou quanto alguns críticos e suas iniciais nas últimas décadas.

O primeiro a “estourar” foi o mais famoso e respeitado deles: Robert Parker, o RP, e seus 100 pontos. Em pouco tempo, algumas siglas passaram a tornar famosos rótulos inesperados e tirar a credibilidade de vinícolas reconhecidas. Hoje, apesar de muitas controvérsias, qualquer vinho com mais de 90 pontos é considerado “pontuado” e visto com outros olhos.

O processo

Para avaliar um vinho, quatro etapas devem ser respeitadas: visual, olfativa, gustativa e final. A visual leva em conta o primeiro contato com a bebida, a maneira como a pessoa enxerga as cores e vivacidade na taça; a olfativa analisa os aromas do vinho, sua complexidade de perfumes e até se há exageros ou defeitos; na fase gustativa, talvez a mais importante, valem os três pontos fundamentais – acidez, a adstringência (taninos) e álcool, trio que deve estar em pleno equilíbrio; por fim, a atenção se volta à persistência do sabor na boca (quanto tempo o vinho permanece nos lábios, no final de boca).

Ah, vale destacar que tudo isso é feito às cegas para que determinada denominação ou produtor não influencie na nota.

Conheça as principais pontuações

Robert Parker (RP)

A sigla RP representa nada menos que a avaliação internacional mais respeitada no mundo dos vinhos. Em qualquer área cultural – filmes, livros, música, gastronomia -, não existe outro crítico com tanto “poder” quanto o amado e odiado Robert M. Parker, ex-advogado que, aos 66 anos, já provou mais de 300 mil rótulos diferentes e garante se lembrar de cada um deles. Ele é responsável pela publicação The Wine Advocate e uma equipe de críticos divididos por região ou país. Em suas pontuações, 50 a 59 pontos são considerados “inaceitáveis”, 60 a 69 possuem “deficiência visível”, 70 a 79 são “médios”, 80 a 89 são “bons”, 90 a 95 “excelentes” e, a partir disso (até 100), “extraordinários”.

Wine Enthusiast (WE)

Desde 1988, a revista Wine Enthusiast, especializada em “life style” (viagens, festas e vinhos), também vem marcando seu lugar no mundo das pontuações. As classificações são baseadas em provas por editores da revista e outros críticos, cada um especializado em uma categoria de vinhos, todos sob a batuta da editora executiva Susan Kostrzewa. Somente os vinhos que levam mais de 80 pontos são publicados e considerados “indicáveis”. De 80 a 84 são “bons”, de 85 a 89 “muito bons”, de 90 a 94 “excelentes” e de 95 a 100 “maravilhosos”. No ano passado, a revista provou e pontuou vinhos brasileiros pela primeira vez. Será que teremos rótulos nacionais “90+” em breve?

Wine Spectator (WS)

A revista estadunidense foi fundada em 1976. Anualmente, seu grupo de críticos, liderado pelo editor James Laube, elabora uma lista com os cem melhores vinhos do mundo. Além disso, seu site publica periodicamente os últimos vinhos provados de acordo com seis categorias: não recomendado (de 50 a 59), abaixo da média (60 a 69), mediano (70 a 79), bom (80 até 89), excelente (90 a 94) e “clássico, um grande vinho” (95 a 100).

Stephen Tanzer (ST)

O crítico norte-americano Stephen Tanzer é editor do site International Wine Cellar, especializado em vinhos da Borgonha, Bordeaux, Piemonte, Califórnia, Washington e todas as denominações da África do Sul. Como já fazia parte do meio, os pontos de Tanzer ganharam reconhecimento principalmente pelos produtores e fazendeiros (apesar de ainda serem menos almejados que RP, WE e WS). O crítico diz que vinhos com 70 a 74 pontos devem ser “evitados”, de 75 a 79 são “medianos”, de 80 a 84 são “bons”, de 85 a 89 são “muito bons”, de 90 a 94 são “excelentes” e de 95 a 100 são “extraordinários”.

Decanter Magazine

A revista inglesa Decanter pertence à influente e renomada crítica Jancis Robinson, que classifica os vinhos com estrelas: de uma a cinco, que indicam respectivamente um vinho “aceitável”, “muito bom”, “recomendado”, “altamente recomendado” e “de excelente qualidade”. Ah, dizem que a “dama dos vinhos” e Robert Parker têm um espécie de “rixa”, pois suas ideias sempre se contrapõem.

John Platter (JP)

Criado em 1978, o Guia de Vinhos John Platter foi concebido pelo casal John e Erica Platter, jornalistas apaixonados por vinhos. A ideia era criar um guia de bolso, como o do famoso Hugh Johnson, para vinhos da África do Sul classificados de uma a cinco estrelas. Sua primeira edição foi considerada “desperdício de dinheiro”, mas 30 anos depois, com dois prêmios de “melhor guia” e mais de um milhão de cópias, é considerado o principal guia de vinhos sul-africanos, respeitado no mundo todo.

Guia Peñin (GP)

Há muitos guias especializados em vinhos espanhóis, mas o Guía Peñin ainda é o mais respeitado deles. Com críticas compiladas por Jose Peñin, apoiadas por diversos profissionais, o guia firmou parceria com o jornal El País, um dos mais influentes da Espanha. Em sua lista, o vinho pode ser “não recomendado” (de 50 a 59 pontos), “nada de especial, mas sem falhas” (60 a 69), “aceitável” (70 a 79), “muito bom” (80 a 89), “excelente” (90 a 94) ou “excepcional” (95 a 100).

O peso do ponto

Que um vinho pontuado chama mais atenção do que outro sem pontuação é inquestionável. Sem dúvidas, vinhos pontuados atraem mais marketing e, consequentemente, vendem mais. Mas nem sempre as ideias “batem” quando o assunto é vinho. Muitos sabores podem agradar uma pessoa e desagradar outra, isso sem contar que muitas vinícolas, regiões e até países nunca foram provados por esses críticos.

Que tal desconfiar de um pontuado às vezes e apostar num rótulo desconhecido? O importante é estar aberto a novas experiências, sem preconceitos e opiniões formadas. Aliás, isso serve para tudo, não é mesmo?

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