República das uvas

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República das uvas

República Federativa do Brasil, que nome pomposo! Para quem não sabe, ou esqueceu, este é o nome oficial do nosso país.

República Federativa do Brasil, que nome pomposo! Para quem não sabe, ou esqueceu depois de tantos anos longe da escola, este é o nome oficial do nosso país, estabelecido pela Constituição de 1969 em referência ao sistema republicano de governo instalado no país com a proclamação da República, o feriado que nos deu este descanso hoje. Este evento foi importante para um Brasil que crescia naquela época e que precisava avançar política, econômica e socialmente.

Em termos históricos, nosso país ainda é bem jovem, 513 anos desde o descobrimento, 191 como país independente e apenas 133 como República. Nesse tempo, aos trancos e barrancos, e ainda com tanto a ser feito, crescemos e avançamos. Ao olhar para este quadro, dá até para fazer um paralelo entre os números dos marcos históricos com os da vitivinicultura brasileira, que revelam uma atividade também muito jovem.

Faz apenas 138 anos que temos uma produção contínua de vinhos, marcada pela chegada dos imigrantes italianos ao sul do país a partir de 1875. Um bebê se pensarmos que os primeiros registros de vinho que se tem conhecimento no mundo datam de oito mil anos atrás, encontrados em ânforas nas tumbas dos faraós do antigo Egito.

Poderia até ser uma atividade um pouco mais madura. Se não fosse por uma longa interrupção de 23 anos do cultivo de uva e vinho no Brasil, já teríamos uma história vinícola de 481 anos, que começou algumas décadas depois do descobrimento, quando Brás Cubas iniciou, por volta de 1532, o cultivo de uvas em São Vicente, litoral de São Paulo, uma capitania de Martin Afonso de Souza. É claro que a iniciativa não foi bem sucedida, mas serviu para iniciar a atividade vitivinícola no país, que nos séculos seguintes foi se expandindo para outras regiões, como Minas Gerais e até para a que hoje é conhecida como Vale do São Francisco.

A interrupção se deu em 1785 com um decreto de D. Maria I (rainha de Portugal que ficou conhecida no Brasil por Maria Louca devido a uma doença mental em seus últimos anos de vida), proibindo a produção de uva e vinho no país porque a coroa portuguesa tinha interesses comerciais maiores em culturas mais rentáveis, como da cana-de-açúcar, cacau, café e também do ouro. O decreto foi abolido por D. João VI em 1808, mas só lá para a segunda metade do século, com a vinda de imigrantes europeus, sobretudo os italianos, que a produção de uva e vinho se consolidou definitivamente no país.

Sempre digo que é preciso conhecer a história do país para entender o momento atual do vinho brasileiro. O governo do Brasil, seja o monárquico de antigamente ou o atual republicano, pouco investiu para intensificar a vitivinicultura no país, como se faz em outros países, porque produzir vinhos nunca representou uma atividade economicamente importante. Mesmo assim, milhares de pequenos produtores familiares viveram deste trabalho nestes mais de 130 anos. E vivem ainda hoje, a duras penas. Muitas grandes vinícolas brasileiras que conhecemos hoje começaram o cultivo da uva e do vinho assim, como forma de subsistência, que cresceu e se tornou grande. Crescimento que se deu com recursos próprios e que segue crescendo com investimentos de empresas privadas que estão apostando no potencial vinícola do país.

É por essas e tantas outras razões que costumo chamar os produtores brasileiros de “bravos produtores”, pois tudo o que tem sido feito de bom pelo vinho do Brasil foi por conta desses esforços, por amor à terra, ao trabalho e ao vinho, e por acreditar que valia a pena continuar. Estão aí os resultados para quem quiser ver, ou melhor, provar.

Eu quero ver nossa República Federativa do Brasil continuar avançando por caminhos melhores, mais justos, mais transparentes e cada vez mais democráticos para que tudo e todos possam crescer. Que permita também crescer o segmento do vinho brasileiro, se não com os mesmos investimentos que em outras áreas, mas ao menos com impostos mais justos (bem abaixo dos atuais 63%) e que favoreçam uma competitividade mais equitativa com os importados. Porque qualidade já tem, o que eu assino em baixo.

Por Sonia Denicol

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