Guia Definitivo de Bordeaux – parte I: contextualização

Guia Definitivo de Bordeaux – parte I: contextualização

Vamos começar pensando na fama que Bordeaux tem: vinhos elegantes, estruturados, bem feitos. Talvez os mais “franceses” da França.

Não é de hoje que Bordeaux é referência no mundo do vinho. Desde a Idade Média, a região tem atraído olhares de outras partes do mundo, principalmente da Inglaterra, que a incorporou à rota mercantilista – isso num tempo em que a maioria das denominações francesas eram praticamente desconhecidas fora do país.

Vamos começar pensando na fama que Bordeaux tem: vinhos elegantes, estruturados, bem feitos. Talvez os mais “franceses” da França. Comprar um Bordeaux é, na maioria das vezes, a certeza de um vinho correto, de um vinho que vai evoluir na guarda, de um vinho complexo, a cara do Velho Mundo.

Isso não quer dizer que não dá para se decepcionar com um Bordeaux. Tampouco quer dizer que não existam rótulos mais simples e baratos. Como saber? Como escolher? Não se preocupe, até o final deste guia, daqui a quatro semanas, você vai saber tudo isso de cor!

Onde está?

Posicionada no litoral sudoeste da França, Bordeaux é uma região entremeada pelos rios Dordogne e Garone, que, ao se encontrarem, dão origem ao Gironde (maior e mais influente que os demais). Seu próprio nome faz referência aos rios (Bordeaux deriva da expressão francesa “au bord de l’eau”, que significa “ao longo das águas”).

Talvez a abundância de águas, tanto dos rios quanto do mar adjacente, seja um dos maiores atributos de Bordeaux. Além de amenizar o clima da região, as águas provêm melhor ambiente para o desenvolvimento das videiras.

De tão extensa que é Bordeaux, a denominação está mais para um conjunto de várias denominações e terroirs. Um antigo ditado de Bordeaux diz que os melhores vinhedos “podem ver o rio”, regiões onde o solo é formado por cascalho e pedras, perfeito para a drenagem da água. A maioria dos principais produtores bordaleses está exatamente nessas localidades (mas isso é assunto para a parte 2 do guia!).

É exatamente por isso que Bordeaux deu tão certo no mundo dos vinhos – ali, as uvas crescem no clima, no solo… No terroir ideal. Existem outras denominações até melhores? Claro que sim, mas Bordeaux ainda é vista como um modelo a ser seguido para que tudo dê certo no final.

Mas nem sempre é igual

Na verdade, é sempre diferente. Mesmo com os rios, o clima da localidade ainda é extremamente delicado, chegando a ponto de ser instável. É justamente por isso que cada safra se diferencia das demais, algo que não se vê na maior parte do Novo Mundo, onde os climas são estáveis.

Em Bordeaux, é possível saber se um vinho é bom única e exclusivamente pela safra. Para os críticos, os anos de 2001 e 2002, por exemplo, foram ruins – seus vinhos, então, mais baratos e menos complexos; Já 2005 e 2009 foram algumas das melhores deste milênio, o que resulta em vinhos que ficam na memória (seja pelos sabores gostosos e persistentes ou pelos altos preços).

Na verdade, quando a safra é tão boa, fica até difícil encontrar os vinhos no mercado. Os grandes apreciadores compram garrafas e mais garrafas, pois são vinhos que podem evoluir na guarda por muitos anos (10, 20, 50!), característica de Bordeaux que nenhum outro canto do mundo consegue imitar.

Sabe onde estão esses vinhos tão “tops”? Eles estão em leilões, em adegas pouco acessíveis, nas mãos dos colecionadores ou na China…

Negócios da China

Como assim estão na China?! Desde 2011, o consumo dos chineses tem sido de cerca de 1,3 milhão de litros por ano. O país já se tornou o primeiro importador mundial de vinhos de Bordeaux. Além disso, cerca de 30 vinhedos de Bordeaux foram comprados por chineses, e mais dezenas estão sendo negociados.

Pois é, o dragão tem sede de vinho, e encontrou seu pote de ouro justamente em Bordeaux (e ao pé da letra!). Isso porque os vinhos bordaleses, com o passar dos anos, tem índices de rendimento bem maior que outros investimentos tradicionais, como ouro, ações, antiguidades e até diamantes. Dez anos de guarda e o vinho valerá 500% o valor pago na garrafa!

Além disso, para os chineses, toda reunião de negócios que se preze precisa ser finalizada com um brinde de um grande Bordeaux. Do contrário, os convidados levarão como ofensa. Os chineses estão a cada dia mais exigentes, querendo vinhos diferentes e mais especiais.

Por melhor que seja a situação (para os produtores e chineses, claro), ela traz algumas complicações. A começar pelas falsificações. Houve um ano que a China vendeu mais garrafas do Latife Rothschild que foi produzido no próprio château, nada mais nada menos que o tinto avaliado como o mais caro de todo o mundo.

Corte bordalês

Apesar de vasta, Bordeaux cultiva poucas uvas. São elas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Malbec, Petit Verdot, Sauvignon Blanc, Sémillon, Muscadelle e Ugni Blanc. Houve um tempo em que a Carménère também brotava na região, porém foi extinta pela praga da filoxera que devastou parte de Bordeaux (e da Europa inteira).

Não existe uma regra específica quanto às proporções usadas no corte, e também nem todas as cepas precisam estar presentes. Cada uma delas desempenha um papel no corte e contribui de alguma maneira para deixar o vinho redondo, correto. Para se ter uma ideia, a maioria dos rótulos de Bordeaux nem mencionam as uvas que levam.

Como descobrir, então, o que estamos bebendo? Pela região de onde a garrafa vem… Preparado para a segunda parte do guia? Descubra as regiões de Bordeaux na segunda parte deste guia!

Por Gustavo Jazra e Rafa dos Santos

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