Os vinhos “uruguaxos”

Os vinhos “uruguaxos”

E sabe o que é pior? Talvez tenha sido esse nosso pequeno vizinho o primeiro a receber vinhos na América do Sul. Foi ali, entre as praias de Montevideo e Punta del Este, que desembarcaram os barcos dos colonizadores espanhóis cheios de videiras.

Claro que os europeus só trouxeram o melhor do melhor (pelo menos nas uvas…). Só que passaram tanto tempo desbravando que deixaram as vinhas de lado. Foram os italianos, mais tarde, na década de 1830, que deram início à produção que despontou no Chile, na Argentina e passou ao mundo a imagem dos vinhos da América do Sul.

Ah, os italianos… Só por curiosidade, conhece o nome dessa região onde tudo começou, hoje a principal produtora do Uruguai? Canelones!

Lendo tudo isso, você deve estar achando muito estranho nunca ter visto ou provado um vinho uruguaio. Infelizmente, é muito normal, pois poucos chegam a sair do país e, quando saem, seus preços vão às alturas.

Mesmo assim, valem cada centavo. Certa vez um produtor de azeites uruguaios me explicou: “O Uruguai é um país tão pequeno, tão difícil de produzir qualquer coisa, que tudo o que brota de lá só pode ser bom!”. É… Pensando romanticamente, até faz certo sentido.

E já que o país é pequeno (o estado de São Paulo sozinho é maior que todo o Uruguai), dá para falarmos de todas as áreas que produzem vinhos, ¿dale?

Região Sul: Canelones, Montevideo, San José, Florida, Soriano e Rio Negro

Montevideo

É na parte sul do país, na área mais litorânea, que está concentrada a maior parte da produção uruguaia. A maior mesmo, 90%! E é lá que está Canelones, e são eles os maiores amantes da uva considerada hoje a cepa nacional do Uruguai: a Tannat, lá chamada de Harriague, comprovada como a mais saudável de todas as uvas.

Cheios de taninos (Tannat, taninos… Deu para entender?), os vinhos dessa área se beneficiam do sol, forte como em toda a América, e da umidade, bem maior que nos outros países. Além disso, graças às praias, o Uruguai é o país que mais recebe as correntes do Atlântico Sul, responsáveis pela leveza, frescor e elegância dos tintos uruguaios. Ah, está cansado dos vinhos escuros, cheios de madeira e exageros da América do Sul? Eis a saída!

Sudoeste e sudeste: Colônia, Maldonado, Lavalleja e Rochas

Maldonado

Mais para dentro do continente americano, algo lúdico acontece às vinhas uruguaias. Região separada da Argentina pelo rio Plata, banhada pelas águas do rio Uruguai, suas terras são mais profundas e drenam mais água e nutrientes. Saem dali vinhos mais complexos, mais trabalhosos, quase impossíveis de dar certo. Mas os que dão, são lembrados para sempre. Bom, tanto trabalho manual e atenção redobrada atraem os produtores que mais gostam disso: os biodinâmicos e naturais.

Ah, dos vários nomes engraçados de cidades uruguaias, no sudeste fica a que (em minha opinião) é a melhor de todas: Lomas de la Paloma!

Centro: Durazno (“pêssego” em espanhol!)

Durazno

Apesar de ser uma denominação minúscula, de produção menor ainda, em Durazno há alguns vinhos que valem a pena conhecer, principalmente os da vila de Carmen. Diferentemente de todo o resto do país, a aposta aqui são as uvas italianas e portuguesas, quanto mais desconhecidas, melhor! Beber um vinho de Durazno é, na verdade, uma aposta: pode ser bom, pode ser ruim, pode ser muito ruim. O jeito é torcer ou esperar que a região se desenvolva um pouco mais.

Norte e noroeste: Paysandú, Salto, Artigas, Tacuarembó e Rivera

Rivera

Se formos juntar todas essas região, acabam sendo a maior área por extensão do Uruguai. Mesmo assim, a produção é pouca. Por ser a parte mais quente do país, as uvas se tornam mais doces, mais alcoólicas e mais tânicas… Quem se dá bem aqui, então? Tintos encorpados, vinhos de sobremesa (colheita tardia) e brancos mais minerais.

Parecem poucas as regiões, mas se levarmos em conta a área em que se pode morar e plantar no Uruguai, dá para entender por que é tão difícil garimpar vinhos uruguaios. Mas, como todo bom garimpo, não estarão ali as pedras mais preciosas?

Já provou um vinho uruguaio? Se sim, aposto que gostaria de mais um; se não, já passou da hora!

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