Um ponto verde na área vip do mapa de vinhos

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Das célebres sub-regiões de Bordeaux, uma que talvez você não conheça: Île Verte.

Das célebres sub-regiões de Bordeaux, uma que talvez você não conheça: Île Verte.

Em Bordeaux, todas as sub-regiões são célebres, berço de rótulos prestigiados, como Médoc e Saint-Emilion. Mas uma delas consegue se destacar por toda sua lista de particularidades, dando origem a vinhos excepcionais. Conheça a Île Verte, ou Ilha Verde.

Bordeaux inteira é famosa, com propriedades que carregam no nome séculos de tradição vinícola, produtos premiados e produtores memoráveis. Mas a fama da região francesa vai além do excepcional, e se supera com uma pequena região, no estuário do rio Garona, de pouco mais de dez quilômetros de extensão: a Ilha Verde, uma pequena porção de terras alagáveis onde se produz vinhos fantásticos.

Desde a Idade Antiga, os vinhos do sudoeste francês servem as taças dos monarcas franceses e do restante da Europa. Se a fama veio antes ou depois dos produtos de alta qualidade, pouco importa: atualmente, são quase 60 AOC’s regionais, mais de 5000 dos chamados castelos – ou produtores de vinhos – e mais de 120 mil hectares de vinhas, cultivadas com um único propósito: fornecer as uvas para alguns dos melhores vinhos da França.

No meio dessa constelação vinícolas está a Île Verte, uma área de quase dez quilômetros quadrados comprada no século XVII pelo rei Luis XIV, o “Rei Sol”, e presenteada a oficiais do exército responsáveis pela vitória da França na Guerra dos Países Baixos. Localizada na região Entre-Deux-Mers – literalmente “entre dois mares”, em francês – toda a área é alagável, o que exigiu, desde a Idade Média, tecnologias de diques, comportas e barragens para conter as inundações da maré alta do Oceano Atlântico.

A atividade agrícola foi explorada na região desde então, e já naquela época os camponeses perceberam que poderiam se beneficiar da mascaret, a “pororoca” de Bordeaux: a entrada das águas dos rios e os sedimentos trazidos por elas alagavam a área por alguns dias, deixando nutrientes que recuperavam a fertilidade do solo, essencial para o cultivo de cereais e videiras. Essa prática perseverou por séculos, e isolou a região da filoxera, que devastou todas as vinhas da Europa no século XIX. Até hoje, algumas plantas possuem suas raízes originais, sobrevivendo à técnica do enxerto de outras variedades mais resistentes ao fungo.

A combinação dos solos constantemente renovados de sedimentos, a isolação por conta das inundações e o terroir de Bordeaux – que dispensa comentários – resulta em vinhos de personalidade marcante e irresistível, muito pontuados e saborosos, na denominação mais do que apropriada de Bordeaux Supérieur (superior).

E já que a natureza e o homem tiveram tanto trabalho para criar a equação, só nos resta apreciar essa preciosidade em forma líquida…

Por Sonoma Brasil

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