A hora do Brasil

A qualidade do vinho brasileiro nunca foi melhor. Ao longo deste último ano, finalmente, nós percebemos.

Há duas semanas vi uma matéria publicada pelo Celso Masson no Istoé Dinheiro, falando do crescimento do vinho brasileiro, que, neste ano, tem sido, no mínimo, fora do comum. 

Citou dados da Uvibra (União Brasileira de Vitivinicultura). 

“Comparado ao primeiro semestre de 2020, o crescimento (do consumo) do vinho nacional foi de 41,15%, passando de 10,8 milhões de litros para 15,2 milhões. (…) no caso dos espumantes, o salto nas vendas foi de 52,03% na comparação com janeiro a junho de 2020.”

Dados interessantes, no mínimo. 

Quando me mudei para São Paulo, em 2011, vinho já estava em alta aqui e no Rio de Janeiro também. Me lembro bem dos dados surpreendentes de consumo, de 12 a 15 litros per capita por ano, respetivamente, em 2011 (Euromonitor) comparado à média nacional de 1,7 litros. Para ter uma ideia de comparação, o povo norte-americano consumia 9 litros per capita naquela época.

Logo depois, o vinho virou tendência nacional. Depois disto? Deixou de ser tendência, veio para ficar. 

Hoje, para muitos, o vinho é uma razão de ser, uma inspiração, uma subcultura que mexe com as pessoas e virou parte da nossa identidade.

Mas quem diria que 2021 seria o ano em que o brasileiro iria começar a olhar para dentro, no seu próprio quintal, entender que a cor da sua grama era tão verde quanto a do vizinho?

Isso para mim é novidade, e para o resto do mundo do vinho também.

Já que ainda não podem viajar para fora, nada melhor que visitar as regiões vitivinícolas no frio! Segundo narrativas de algumas das principais vinícolas da região, as visitas dos últimos 2 meses superaram os números do ano todo de 2019.

Será que também tem a ver com a desvalorização brusca da moeda, dificultando ainda mais as compras daqueles Gran Reservas e Chiantis e Bordeaux que nos acostumamos ao longo destes anos? 

Tem a ver com o trabalho de cada vez mais restaurantes, blogueiros e escritores? Temos a Enoteca Saint VinSaints, o Beverino, a Cecilia Aldaz, o Dirceu Vianna, que levou o vinho nacional para ser pontuado e divulgado pela Decanter no exterior, e Suzanna Barelli, que fazem um trabalho consistente e impactante de divulgação e educação, plantando sementes e cultivando-as.

Ou, de fato, também tem a ver com qualidade? Sempre em ascensão, o vinho brasileiro atingiu um patamar novo com a safra 2020, ela foi considerada a “safra de todas as safras”, segundo um consenso quase unânime de produtores.

O fato é: o vinho brasileiro nunca esteve tão em alta.

Este ano tive a honra de degustar centenas de vinhos brasileiros, de vinícolas que você já conhece e outras que talvez nunca tenha ouvido falar.

Resolvi escrever essa matéria para contar um pouco sobre o que encontrei nessa viagem, e também compartilhar algumas das experiências mais memoráveis.

Alguns dos vinhos que degustamos já podem ser encontrados no Sonoma Market, enquanto outros aparecerão em breve. Mas, em geral, é possível encontrar todos esses vinhos disponíveis na internet, independente da plataforma. 

Queria deixar claro que isso está longe de ser um guia completo de vinho brasileiro, pois hoje há vinícolas desde a Campanha Gaúcha até o Norte e Nordeste que fazem vinhos notáveis. Esta é uma simples polaroid de um momento que vivi.

Espero que seja útil para você!

Pequenas produções, grandes resultados

Alguns dos vinhos mais interessantes produzidos no país hoje são de pequenos produtores. 

Sempre carregamos a bandeira dos viticultores artesanais. Para nós é tão legal apoiar quem está fazendo alguma coisa por paixão, tudo feito à mão. 

Claro, a qualidade tem que proceder. 

Pode ter certeza que estes produtores (e vinhos) entregam.

Acir Boroto

Nessa vinícola, as uvas são plantadas pelo próprio produtor, de cultivo orgânico desde 1986, com vinhos elaborados através da vinificação natural. 

O grande destaque deste produtor são seus espumantes, cada garrafa é selada com uma tampa de garrafa de cerveja, ao invés de rolha. Ah, e esquece de rótulos! As especificações de cada vinho são escritas com marcador na própria garrafa. Um achado!

Estamos trabalhando para que estes vinhos estejam disponíveis no Sonoma Market em breve.

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Boroto Nature Rosé Isabel Centenária
De cor rosa brilhante, aquele Tokyo pink, o vinho oferece aromas leves de romã e brioche. Em boca totalmente seco e com excelente corpo e acidez, com heranças de cerejas secas, flores, romã. Um acompanhamento ideal para comida de entrada até final, excelente sozinho também.

92 Pontos

 

 

Boroto Nature Branco 2020
Sofisticado espumante nature, também de vinificação natural, que entrega fruta de caroço ainda não madura, brioche saindo do forno, traços cítricos, um belo acidez. Excelente para peixes carnudos

91 Pontos

Era dos Ventos

A vinícola que elaborou os primeiros vinhos brasileiros a atingir status “cult”, feitos pelo Luis Henrique Zanini. 

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O espumante Peverella da propriedade foi destacado pelo Eric Asimov da NY Times como “o vinho brasileiro mais interessante que já provei.” 

Também feito de vinificação natural, sem conservantes e outras substâncias químicas, são belos achados, que surpreenderão em qualquer jantar, excelentes presentes para quem procura a nova tendência ou quem realmente quer entender quão bom o vinho brasileiro (natural) está ficando. 

 

 

Por serem um tanto mais caros, para muitos não são as escolhas para o dia-a-dia, mas ainda assim vale muito a pena provar!

Hoje oferecemos toda a linha da Era dos Ventos em nosso e-commerce, mas também destaco aqui alguns que provei novamente nesta última viagem.

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Era dos Ventos Peverella Laranja 2018
O vinho ícone da propriedade não é um tinto e sim um laranja, um vinho branco vinificado como se fosse tinto, em contato com o mosto por período estendido para agregar corpo e intensidade. 

A coloração é linda, um pêssego dourado, com aromas florais de camomila e frutas tropicais maduras. Em boca é expansivo, com acidez suculenta, sabores de laranja kincan e tangerina, com leve taninos e excelente estrutura. Para quem um vinho branco com estrutura no inverno, para harmonizar com pratos desde feijoada até paella ou carne de porco. 

94 Pontos

 

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Era dos Ventos Nebbiolo
Quem imaginou que a uva do Barbaresco e Barolo poderia entregar uma versão com tanta nuance, sutileza e leveza em terras tupiniquins. Tomar levemente gelado, uns 15 ̊C.

Tímido no início, expande aos poucos, destacando a cereja não madura, nuances de floresta e até os toques ferrosos que encontraríamos em uma versão piemontesa, porém nunca perdendo a maciez, taninos bem mais sutis do que esperava. Uma delícia.

92 Pontos

 

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Era dos Ventos Clarete 2020
Melhor tinto brasileiro” segundo o Guia Descorchados. Para mim, a disputa é acirrada, tendo em vista que a qualidade dos tintos brasileiros cresce a cada ano, mas este é, sem dúvida, notável (e delicioso também). 

Um rosé feito a partir da vinificação de uvas tintas e brancas juntas, diferente da forma que os rosés são produzidos hoje. O resultado é lindo: acidez salivantes, pétalas de rosas, uma mescla de cerejas e morangos frescos em boca, com taninos bem levinhos.
91 Pontos

 

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Era dos Ventos Merlot 2018
A uva principal da Serra Gaúcha se encontra aqui em uma versão leve e ao mesmo tempo profunda. Sua cor rubi é brilhante, seus aromas de morango, cereja, pitanga e groselha, instigantes. Já em boca a acidez é vivaz, os taninos macios, com corpo leve para médio, oferece um lado austero e ainda complexa da famosa uva bordalesa. 

Elegante e bem estruturado.

92 Pontos

 

Faccin Vinhos

Há 3 anos o Sonoma Market trabalha com a família Faccin. A história é inspiradora, 4 gerações de viticultores de descendência norte italiana, que só em 2017 começaram a usar suas uvas, antes vendidas à cooperativas de vinhos, para produzir seus próprios vinhos. 

Após uma viagem precária para São Paulo para atender a feira de Descorchados, e um prémio inesperado de “Melhor Vinho Laranja” e “Vinho Revelação”, António e Bruno Faccin venderam 500 garrafas em um só dia (2 delas para mim). A história com o Sonoma Market começou a partir daí. 

Os vinhos da Faccin são feitos de produção natural, sem pesticidas aplicados nas vinhas, sem uso sulfitos e outros conservantes, corantes ou estabilizantes. 

São vinhos “nus”, crus, que vale muito a pena provar. Os da safra 2020 são particularmente espetaculares.

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Faccin Malvasia Bianca Laranja 2020
Este é o melhor vinho brasileiro que provei neste ano e, pelo valor, bem poderia ser o melhor vinho independente do país. Uma jornada sensorial que começa com um nariz repleto de frutas secas, canela e cardamomo, até lembra a Gewurz da Alsácia. Em boca entra tímido e expande em pêssego maduro, toques de mel, pimenta rosa, uma cremosidade surpreendente. Um espetáculo de vinho!

94 Pontos

 

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Faccin Pet-Nat Branco 2020
Sóbrio e despretensioso, porém com bastante caráter e complexidade. De milho a melão maduro, seus aromas são únicos. Já em boca, citricidade, sem doçura alguma, pouca presença de álcool, nuances minerais e florais, agrado total. Um espumante para beber o dia todo.

91 Pontos

 

 

 

Bruno Faccin mostrando o processo de vinificação dos seus espumantes, com as leveduras nas garrafas

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Faccin Pinot Noir 2019
Já um favorito dos clientes Sonoma Market, é excelente para todas as horas! Sua acidez o torna ideal para harmonizar com pratos desde risotto ao funghi até galeto na brasa. 

Turvo na taça, tem bastante morango e framboesa no nariz. Em boca oferece um lado cítrico da Pinot Noir, com aquela pegada de kombucha e alguns vinhos naturais. Um gosto adquirido com o tempo, talvez. Eu pessoalmente adoro. Vendido a um valor bastante acessível, vale muito a pena provar. 

90 Pontos

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Antonio Faccin Blend 2020
Estupendo! Quem disse que um vinho natural brasileiro não pode atingir uma qualidade semelhante aos grandes chilenos, argentinos, europeus e norte-americanos nesta faixa de valor? 60% Merlot e 40% Cab Franc, este o único vinho da propriedade que estagiou em barrica de carvalho – francês, por 12 meses. Notas de ameixas frescas dão lugar a cerejas maduras com cravo e traços amadeirados, só agregando, nunca mascarando. Uma persistência longa. Para decantar.

Não deixe de conhecê-lo!
93 Pontos

 

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A nova sala de degustação na vinícola Faccin

Eduardo Zenker

Polêmico, no mínimo, Zenker ganhou fama em 2018 por ter sua operação fechada pelo MAPA, impossibilitando a comercialização dos seus vinhos. Isso acabou servindo como um aviso para a legião de produtores brasileiros desbravadores, que estavam fazendo seus próprios vinhos em pequenos lotes e oferecendo a consumidores cada vez mais interessados em vinhos de pequenas produções, mínima intervenção humana e uma conexão mais próxima ao produtor.

Hoje Zenker segue produzindo seus vinhos de forma 100% artesanal, porém solicitou inclusão de seu negócio no órgão regulatório para voltar ao seu trabalho de forma mais segura e garantida.

Durante essa viagem pude comprovar que a qualidade está melhor que nunca, tanto nos vinhos quanto na apresentação como um todo: as garrafas são verdadeiras obras de arte; desde a seleção de imagens, a escolha dos nomes dos vinhos e até a tipografia utilizada para cada rótulo são meticulosamente escolhidas. 

As garrafas de estilo Borgonha são impactantes, as rolhas de cortiça são de primeira e o estilo de vinificação é feito por parcela, tudo separado em lote baseado nas características únicas de cada uva e seu terroir, ao estilo Borgonha, o que pode ser custoso e demanda bastante atenção.

Provamos 20 vinhos diferentes, a maioria da safra 2021 e ainda em barrica, muitos ainda não prontos. Mas já são muito promissores. 

Dos já disponíveis no mercado brasileiro para venda, esses foram os que mais gostei.

Estamos trabalhando para que estes vinhos sejam disponíveis no Sonoma Market em breve.

Arte da Vinha “Uh Lá Lá” Gamay 2020
Quem sabia que a uva delicada de Beaujolais poderia ser encontrada aqui no Brasil, muito menos vinificada de forma tão interessante. Toda a leveza que esperamos da Gamay porém com um lado mais sério e estruturado que me lembrou os vinhos do Cru Fleurie. Framboesa fresca intercala com um toque de fruta preta, amoras, e uma bela expansão em boca. Parabéns por este trabalho! Recomendo servir levemente gelado.

92 Pontos 

Arte da Vinha Francamente Franc Cabernet Franc 2020
A uva do Loire em versão gaúcha, de uma parcela cultivada na região de Vacaria, RS. Foi engarrafado apenas um microlote de 250 garrafas. 

De cor violeta, tem lindo e expressivo nariz, com traços herbáceos e de mocha. Em boca mostra excelente acidez e frutas vermelhas. Excelente estrutura.

91 Pontos

Arte da Vinha Pinot Noir Campos de Cima de Vacaria 2020
Um pinot sério e encorpado, que oferece densidade de fruta preta e abre aos poucos em nuances florais, com estrutura aportada pela barrica mas o frescor e acidez resultantes da safra.

Um excelente trabalho, importante para quem acha que Pinot Noir não pode ser produzido com excelentes resultados no Brasil. Um vinho para decantar e contemplar. Apenas 250 garrafas foram produzidas.

92 Pontos

Outras vinícolas notáveis de RS, pequenos produtores de alta qualidade, que não pude visitar nesta viagem, mas valem a pena conhecer:

Domínio Vicari
Vinha Unna
Campos de Cima
Atelier Tormentas
Juan Carrau – Vinho Velho do Museu

Tradicionais, mas cada vez ainda melhores

Hoje muitos dos nomes mais conhecidos do Vale dos Vinhedos estão fazendo seu melhor trabalho de todos os tempos. Desde os pesos-pesados até as vinícolas de médio porte, os investimentos em tecnologia e o avanço no entendimento dos seus próprios terroirs está gerando safra após safra de vinhos excelentes.

Alguns dos melhores da região?

Pizzato

Sempre gostei dos vinhos da Jane Pizzato e fico feliz por podermos oferecê-los no Sonoma Market

Fomos muito bem recebidos na vinícola, com uma degustação liderada pela equipe comercial que, apesar de jovens, sabem muito mais de vinhos que muitos sommeliers e profissionais avançados que conheço. Impressionante!

Os vinhos também. Esses são alguns que se destacaram:

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Pizzato Espumante Vertigo
Um espumante que leva 18 meses nas leveduras que entrega bastante corpo. Não é para todo mundo, mas eu acho muito interessante e fascinante. Seus aromas são de caju, suor e cerveja pale ale, já em boca oferece um corpo sóbrio e com um toque de amargor, zero de açucar, boa persistência. Um espumante para o amante de cerveja artesanal.

91 Pontos

 

 

Pizzato Alicante Bouschet 2019
Alicante Bouschet é uma uva francesa que migrou para Portugal e ganhou fama no Alentejo , esta versão é uma delícia, com bastante corpo, aromas florais de violetas, um centro profundo e amoras e mirtilos e uma expansão na taça excelente. Com corpo médio e bela acidez. Um dos melhores da Pizzato.

92 Pontos

Pizzato Concentus Merlot 2005
O “Gran Reserva” da Pizzato. Safra não disponível no mercado, foi um prazer degustar esta garrafa tirada da adega da produtora. Mostra a capacidade de guarda dos vinhos da região. Fruto de uma safra excelente, estagiou em barrica francesa e americana, e mostra bastante densidade de chocolate ao leite no nariz, com uma boca linda e agradável e viva, cheia de fruta preta plena, boa maciez, taninos domados e acidez boa. Toques balsâmicos. 

92 Pontos

Pizzato Concentus Merlot 2019
Bastante presença de amoras e especiarias doces no nariz, com amoras em compota e até torta de amora em boca. Uma acidez de fruta fresca, fascinante. Taninos sutis. 

92 Pontos

Miolo

Maior produtor de vinhos finos do Brasil e maior produtor de volume fora das cooperativas, com uma produção de 10 milhões de garrafas por ano e uma exportação para 20 países. 

Miolo tem feito uma dedicação a explorar outros terroirs do Brasil ao longo da última década: o Vale de São Francisco na Bahia, Seival e Almaden na Campanha Gaúcha

Pela primeira vez estes esforços estão entregando resultados notáveis e estão sendo reconhecidos pelo público geral: todos os vinhos premium da safra 2020 estão esgotados no mercado, consumidos por enófilos durante a quarentena do ano passado e deste ano. 

Ainda assim foi possível provar os ícones da propriedade e também outras linhas, uma degustação memorável de 25 vinhos liderada por Fabio Miolo.

Os mais interessantes? Siga lendo. 

Em breve estes vinhos serão oferecidos no Sonoma Market

Miolo Single Vineyard Riesling 2020 
Feito de uma parcela em Almaden. Aromas de leve plástica no nariz mas nada do petroláceo típico da uva. Linda acidez. Totalmente seco. Incrivelmente cítrico e mineral e fascinante. Melhor riesling seco do Brasil que já provei desta safra. Muito bem feito.

90 pontos

Miolo Single Vineyard Touriga Nacional 2020
Este tinto estagiou em barricas de carvalho de 2º uso. Tem bastante tipicidade nos aromas, violeta e especiarias. Sedoso e macio, realmente excelente. Caráter mineral mas com bastante fruta profunda e opulenta, bastante tipicidade da touriga, mas nada remete ao clima quente, o álcool nada sobrepõe. Uma versão mais contida desta uva lusitana. Da dor de cuspir até.

92 Pontos

Miolo Syrah Single Vineyard Syrah 2020
Estrela total, melhor vinho da degustação pela proposta. Linda fruta preta e até cremosa, com leves traços achocolatados. Um vinho de hoje e não do dia seguinte, mas entrega muito ao abrir. Um leve salgado, de azeitona. Adorei a linda acidez, os traços de grafite lembram Bordeaux, tem taninos finos.  

92 pontos

Miolo Testardi 2018
Apenas 5mil garrafas produzidas. 100% Syrah do melhor vinhedo da propriedade no Vale de São Francisco, seu “Gran Reserva.” Linda salgada azeitona e uva passa no nariz. Em boca entra com bela acidez e uma característica salgada, gostosa e fantástica. Tão contido e muito expressivo ao mesmo tempo, não dá para sentir o álcool apesar da graduação alta (15%). Vai abrindo em pimenta preta e traços achocolatados. 

93 Pontos

Miolo Lote 43 2018
Vinho ícone da propriedade, do seu melhor vinhedo, separada para virar um único parcela, o “Grand Cru” do produtor. Muita barrica no nariz, tanto coco de americana quanto baunilha da francesa. Em boca uma lindeza de vinho, muito bem estruturado, nada sobrepõe, a barrica é muito bem integrada. Bastante fruta preta, de berries, linda e suculenta e longa. Muito mais estilo europeu do que californiano, se for comparar. Uma persistência longa e excelente expressividade. Para comparar aos grandes Chilenos, vai pé a pé com muitos Bordeaux 5 ̊em e 4˚em Grand Cru Classé que já provei.

94 Pontos

Valduga

O gigante dos espumantes tem uma estrutura tão bem desenvolvida que parece Disney. 

180˚ graus de diferença do dia anterior, quando ficamos na garagem do Zenker, provando da barrica, sem cadeiras para sentar, felizes por estar em contato tão perto do produtor. Porém entendemos a Valduga: para muitos turistas a este castelo (realmente é um castelo que construíram no meio da Serra Gaúcha) deve ser a primeira experiência com viticultura e é feito para impressionar, e também, mostrar uma empresa bem sólida, de sucesso. Certamente hoje é.

Vale muito a pena almoçar na Casa Madeira, empresa e restaurante da família, onde é possível provar todos os vinhos pelo mesmo valor encontrado na loja. 

Os mais notáveis são:

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Casa Valduga Branco Nature Sur Lie
Pelo valor, um espumante muito interessante (fica por volta das R$100). Pela aparência parece mais artesanal do que tradicional. No nariz pode esperar fermento e brioche, aportado pelo contato longo com as leveduras. Em boca, bastante estrutura, que é equilibrada pela acidez e frescor, com aromas e sabores de maçã madura e pera em calda, amêndoas, cremosidade, finesse. Bem feito.

91 Pontos

 

 

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Casa Valduga Espumante 130 Brut Rosé
Este é um dos melhores espumantes da casa. Com 36 meses de estágio nas leveduras antes engarrafamento, entrega finesse de forma floral e delicada, pêssego e lavanda flutuam da taça ao servir. Em boca é delicado porém ainda com estrutura o suficiente para harmonizar com peixes mais gordos ou sashimi. Muito bom.

92 Pontos 

 

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Casa Valduga 1875 Licoroso
Eu, que não gosto de doçura nem na sobremesa, acho este vinho o melhor da casa. Um vinho de sobremesa à base de Cabernet Sauvignon e Merlot, nada doce demais, a acidez que equilibra. Aromas de ameixa e café espresso dão lugar a macchiato, fruta negra, nuances de açúcar demerara e chocolate. Para harmonizar com tiramisú? Nem me fala.

93 Pontos

 

Lidio Carraro 

Conheci os vinhos da Lídio quase uma década atrás, notáveis por sua longa vida e pela pureza da fruta (nenhum vinho passa por barrica, porém as melhores entram no aúge somente após 7 -10 anos de idade). 

A empresa segue familiar, apesar da produção mais pronunciada do que na última década (300 mil garrafas por ano). Nós degustamos na frente da casa tradicional do Sr Lídio, entre as árvores do quintal, numa mesa de banquete rústico e muito chique ao mesmo tempo. 

Spurrier, antes de falecer, falou com bastante força desta propriedade, visitou 3 vezes e inclusive considerou ela a melhor vinícola do Brasil. Certamente merece contemplação, também a visita. 

Estes vinhos valem a busca (hoje não os oferecemos, quem sabe em breve).

Lídio Carraro Dádivas Chardonnay 2020
Amarelo palha em taça, com boca mineral e salgadinho. Excelente acidez e nuances de maresia que remete a Chardonnay da costa chilena, nada de Chardonnay de clima quente. Salgado e gostosinho. O rótulo não é muito atraente, mas o vinho entrega. Único vinho brasileiro na carta do Hotel Savoy, da família real da Inglaterra.

90 Pontos

Lídio Carraro Puros Cabernet Sauvignon / Marselan 2019
Marselan é um cruzamento entre grenache e cab sauv, nunca provei uma versão do Brasil. Este é esplêndido, com fruta preta e densa no nariz, acidez elétrica, tanino de alta qualidade e bastante estrutura. Não precisa mesmo de nada de barrica. Fantástico.

93 Pontos

Lídio Carraro Teroldego Singular 2012
Profundo, quase preto na taça, no nariz oferece xarope de amoras e licor de ameixas, com um leve remédio. Em boca anis estrelada, suculência, acidez maravilhosa, suco de blackberry profundo, incenso. Pouco de chocolate e olha, nunca passou por madeira. Canela. Estrela total.

93 Pontos

Lídio Carraro Merlot 2011 
Linha mais importante do produtor. Este vinho ganhou o prêmio de melhor Merlot brasileiro pela Decanter. Agora, 10 anos após a safra, notamos um leve halo na taça, uma coloração que denota a idade. No nariz, ameixa, couro e terra molhada após a chuva. Em boca boysenberry (um cruzamento entre a framboesa-européia, a amora-silvestre e a loganberry), leve especiarias, xarope de ameixa e traços cítricos. Um pouco magro, tem a ver com a safra, menos ensolarada que o ideal. Gostei muito mas fiquei com vontade de provar a 2012. Uma proposta linda.

92 Pontos

Estes foram apenas alguns dos produtores que me impressionaram nesta última visita. Entre as “casas tradicionais” da região, também recomendo muito:

Terragnolo (especialistas em Merlot)
Larentis (prove o Tannat, também o Mérito)
Cave Geisse (melhores espumantes do Brasil?)

E claro, tem muitos outros do Brasil que não se encontram no Rio Grande do Sul mas que fazem um lindo trabalho. Gosto particularmente da Guaspari, em São Paulo, também a Primeira Estrada em Minas Gerais. 

Em geral, o vinho brasileiro está no seu melhor momento. Não tem nenhum motivo para não traçar um caminho de excelência e se destacar cada vez mais nas gôndolas dos supermercados e distribuidoras, nas adegas dos brasileiro e, quem sabe, nas seleções das importadoras dos EUA e da Europa. 

Por minha parte, fico feliz por ter observado e agregado, na medida que foi possível, para a divulgação destes vinhos.

A grama do vizinho talvez ainda seja mais verde, mas aqui, em terras tupiniquins, está ficando cada vez mais linda. 

Abraços,
Alykhan Karim
CEO – Sonoma Market

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