Os sabores dos continentes

Os sabores dos continentes

O que esperar de um vinho europeu, do Velho Mundo? E de um país jovem da América do Sul? E a exótica Ásia?

O que esperar de um vinho europeu, do Velho Mundo? E de um país jovem da América do Sul? E a exótica Ásia?

Com as características de cada continente, fica muito mais fácil escolher vinho!

Graças ao clima, solo e costumes de cada continente, é possível juntar algumas características principais de cada lugar do mundo. Para que isso?

Você vai ver como fica muito mais fácil escolher um vinho para alguém ou para uma ocasião!

África

De maneira geral, pode-se dizer que a produção africana se resume à África do Sul. Localizado abaixo do Paralelo 30S, o país com solos ricos é agraciado por verões mornos e invernos chuvosos – calor, chuva, frio… Tudo na medida ideal.

Um fator que torna os seus vinhos mais que especiais? O vento, que vem para emprestar frescor inigualável aos vinhos. Não há nada como a brisa da África do Sul – ela dá tanto caráter aos vinhos que as uvas, mesmo as mais famosas, parecem ser outras. Pinot Noir, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Merlot… Todas ficam frescas, refrescantes… Ficam sul-africanas!

As principais variedades são as brancas, com destaque para a Chenin Blanc. Já em se tratando das tintas, Syrah e Pinotage.

Características: herbáceos e frescos, tanto tintos quanto brancos.

América do Sul

É fato que nem todo território sul-americano produz vinho, pelo simples fato de quanto mais próxima da linha do Equador e mais quente for a região, maior é a dificuldade de se cultivar uvas nela. Sendo assim, a maior parte da produção do continente concentra-se na porção sul, com uma variação dos climas semi-árido ao temperado, passando por algumas zonas tropicais.

A maioria de planaltos é outro fator decisivo, pois define os vinhos como de altitude. É só pensar nos vales do Chile, nos Andes argentinos e nas cuestas do Brasil para perceber que a América do Sul é lugar de altitudes – grandes altitudes.

E por que é bom ser de altitude? A vida das uvas é muito mais complicada nas alturas. Lá, há maior incidência solar, a chuva molha muito, os nutrientes demoram para chegar… Só as melhores uvas resistem às controversas condições. Uvas boas igual vinhos bons. Pode apostar nas altitudes!

Do Brasil ao Chile, esse caráter vai se acentuando, e culmina na Cordilheira dos Andes. A cadeia montanhosa preserva o lado argentino dos Andes da influência marítima, e também, é claro, da umidade. Por sua vez, no lado chileno, o oposto acontece.

Cada um dos principais países produtores possui uma uva,digamos, preferida, que se adaptou melhor às condições do terroir. Na Argentina, a Malbec; no Brasil, Merlot; no Chile, Carménère; e no Uruguai, Tannat.

Características: vinhos terrosos, frutados e com especiarias. Notas de terra molhada e café são comuns, assim como frutas frescas, mais ácidas e vivas em boca, resultando em vinhos jovens. Apesar de ser forte na produção de espumantes com variedades brancas, os tintos predominam.

América do Norte

De uma costa a outra, produz-se vinhos na América do Norte. Só para se ter uma ideia, de todos os estados dos Estados Unidos, apenas dois não dão origem à bebida. Por ali, Califórnia, Washington e Óregon são os terroirs que mais se destacam.

Já ouviu falar em barril americano? Pois é, o carvalho é uma árvore nativa dos Estados Unidos, e os americanos gostam dela. Isso dá ao vinho, durante seu armazenamento, algumas características bem típicas: baunilha, madeira, frutas maduras (muitas frutas). Ah, e também por isso são vinhos encorpados, de peso.

Além dos Estados Unidos, o Canadá e o México também são países vinícolas, apesar de em menor escala. São jovens, estão se desenvolvendo cada vez mais, e sempre sob influência dos costumes americanos (logo, os vinhos são bem parecidos).

Características: vinhos encorpados, ganham notas de baunilha, madeira e frutas maduras durante a passagem (quase que de lei) por barrica.

Ásia

Com certeza muito enófilo já ouviu falar dos vinhos do Japão e da China… É verdade, eles possuem mais do que saquê, mas não podem representar (pelo menos não ainda) os vinhos asiáticos.

Quando se fala em Ásia, se fala em Oriente Médio. Líbano, Israel e Turquia são os verdadeiros produtores da Ásia. E, apesar de pouco conhecidos, são realmente históricos. No Líbano, por exemplo, está o maior monumento já feito ao deus Baco, o deus dos vinhos e das festas.

Sua experiência milenar foi comprometida principalmente pelos conflitos e guerras e ao longo dos anos e, mais importante ainda, devido aos dogmas religiosos que proíbem o consumo de álcool na maioria desses países.

Após muito tempo em latência, os vinhos voltaram a brilhar no oriente nas últimas décadas, principalmente por influência francesa. Os europeus vieram com métodos, vinhas, variedades e tudo o mais. Hoje, os vinhos produzidos por essas nações seguem o estilo francês mais tradicional – desde os cortes bordaleses (protagonizados pela Cabernet Sauvignon e pela Merlot) às frutas sutis, elegantes.

Uma característica só sua? Especiarias! Será que tem a ver com aqueles mercados cheios de temperos das arábias?!

Características: vinhos frutados e repletos de especiarias (principalmente pimentas vermelhas e pretas), são muito elegantes. Muitas vezes ganham outros níveis de complexidade dadas as condições. Os brancos, apesar de minoria, são mais minerais.

Europa

Apesar de a porção ocidental ser a mais conhecida no mundo dos vinhos (os tais países do Velho Mundo), algumas nações do leste europeu também são excelentes produtores da bebida – como a Hungria, Croácia e Bulgária.

A maior parte da França e da Alemanha se concentra em planícies e baixas altitudes. O mesmo acontece na Hungria e em Portugal. Já Áustria, Espanha, Grécia e Itália lidam com terrenos mais acidentados, de altitude, algumas vezes até irregulares, com um forte calor em algumas épocas do ano – o que resulta em vinhos mais alcoólicos que nas outras regiões.

O clima? Varia entre mediterrâneo e temperado. Quanto mais quente, mais prevalecem os tintos. Em compensação, as regiões frias são conhecidas pelos brancos. Logo, avançar em direção ao norte significa encontrar mais brancos.

Características: vinhos complexos e rústicos, que exploram seu potencial terciário. Elegância, que vem do frio, garante anos de guarda. Frutas aparecem, mas em compota.

Oceania

O nome já diz tudo – vários pedacinhos de terra banhados por águas e mais águas. Mas é justamente isso que torna mais difícil produzir vinhos na Oceania.

Para que as uvas sejam cultivadas da forma correta, precisam estar longe do mar (dá para imaginar o quanto isso é difícil em um continente com tal nome, não é mesmo?). Seu solo, acredita-se, é um dos mais antigos do mundo, muito erosivo e esturricado.

Ah, mas ter praia não significa que tenha calor. A principal área é ao sul, e o clima é mais fresco! Isso é bom principalmente para quem? Para as cepas brancas. São elas que se destacam em países como Nova Zelândia e Austrália, os principais produtores da Oceania.

Uma vantagem que a Austrália possui é ser enorme, o que permite explorar outras variedades e climas – o Barossa Valley, principal denominação australiana, é extremamente quente. Graças a esse domínio, uma uva tinta é, sem dúvidas, a uva nacional: a Shiraz.

Já na Nova Zelândia, quem manda são as variedades Riesling, Sauvignon Blanc, Pinot Noir e Merlot – mas não são quaisquer, pois qualquer vinho que vem de lá tem uma complexidade maior do que o normal.

Características: vinhos quentes, com grande complexidade aromática e com bastante concentração de cor, principalmente nos tintos (Shirazes bem escuros, chegando a tons de pixe, quase preto).

Por Gustavo Jazra e Rafa dos Santos

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